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Cinema:  A importância de Pantera Negra para o cenário mundial atual
07/02/2018 Por Por Thamires Viana

Cinema:  A importância de Pantera Negra para o cenário mundial atual


Desde o anúncio em 2014 de que Pantera Negra ganharia um filme solo, muito se falou sobre as expectativas que rondam a história do herói de Wakanda, criado em 1966 por Stan Lee e Jack Kirby.

O longa finalmente chega aos cinemas e fica claro que sua importância vai muito além de uma boa história sobre um herdeiro assumir o trono de sua família após a morte de seu pai. Além da temática de super-herói e das cenas de ação comuns aos filmes da Marvel, o longa traz pontos importantes, afinal, estamos em um momento de intolerância, com vítimas em todas as partes do mundo.

Pantera Negra chega para levantar uma discussão positiva sobre o racismo, a representatividade negra e por isso podemos considerá-lo como um grande marco para os cinemas. Entenda melhor abaixo:

O elenco é majoritariamente negro, apenas com exceção de dois personagens vividos pelos atores Andy Serkins e Martin Freeman. Boseman, Angela Bassett, Lupita Nyong'o, Danai Gurira, Michael B. Jordan. Letitia Wright e Forest Whitaker são só alguns nomes que integram esse maravilhoso elenco. Todos, sem exceção, estão atuando com uma emoção que ultrapassa a tela. Parece mesmo que eles, assim como nós, esperavam por um sucesso que chegasse com toda essa energia por trás.

Para mim, como uma pessoa negra, é lindo e muito gratificante ver um dos maiores filme do ano sendo conduzido e estrelado por negros. Kevin Feige, presidente da Marvel, colocou em foco durante uma entrevista ao Vulture em 2017, a importância desse fato: "Isso é algo especial, algo muito importante, e uma das razões que farão esse filme ser tão incrível e único". Concordo!

Ele é o primeiro super-herói negro de origem africana a chegar às telonas e isso, já é de cara, algo para se admirar se pensarmos no atual cenário mundial, principalmente nos Estados Unidos, com todas as declarações racistas feitas pelo presidente do país, Donald Trump.

A ideia de trazer o personagem de Chadwick Boseman para os cinemas está bem longe de apenas apresentar sua história aos fãs dos quadrinhos. O longa traz uma linda homenagem à cultura africana e é uma emoção enorme ver um estúdio norte-americano se empenhar em detalhar cenários, figurinos e até sotaque dos personagens. O longa acaba se tornando uma viagem para o continente e uma imersão singela aos costumes da África.

Coincidentemente ou não, o longa estreia no mês da História Negra nos Estados Unidos, período que relembra a contribuição dos negros à vida política e cultural dos Estados Unidos. Para algumas pessoas, o nome do personagem pode também ser baseado no grupo extremista voltado à defesa da população negra que surgiu no mesmo ano, mas de acordo com o próprio Stan Lee, o nome é uma mera coincidência e nada tem a ver com os Panteras Negras, afirmando que seus personagens foram criados meses antes. Talvez os criadores não imaginavam a importância que seu herói teria em pleno século XXI.

Os detalhes visuais do longa representam e muito a cultura africana. A designer de produção, Hannah Beachler, conseguiu recriar de maneira futurista os cenários da cidade de Wakanda com inspirações que partem de construções comuns na África e misturando com as cores de Blade Runner - O Caçador De Andróides. Já as pinturas corporais vistas em tribos também são inseridas em personagens como o de Withaker. O figurino é um show a parte e destaque para as Dora Milaje usando roupas que fazem alusão aos trajes usados pelos povos nativos do continente. Lindo de ver! E emocionante!

As personagem femininas são muito, mas muito fortes e corajosas. É incrível ver isso num longa que traz um protagonista masculino. Se engana quem pensa que elas estão em segundo plano. Uma das cenas de perseguição traz Nyong'o, Gurira e Wright mandando ver com armas, carros e muita determinação. As moças são colocadas em papéis de general, mestre em tecnologia, espiã dedicada... Aqui não existe o clichê de "largar a carreira para ficar atrás do grande amor", mostrando que nem sempre as mulheres optam por seguirem a vida dessa forma.

Pantera Negra é uma grande revolução. Mesmo que seja um filme de super-herói e muitas pessoas pretendam conferí-lo apenas por esse motivo, é também uma obra de arte que não foge ao que promete no quesito representatividade, mesmo que faça isso de maneira discreta em meio a um espetáculo digno de um blockbuster.

O diretor Ryan Coogler, que escreveu o roteiro em parceria com Joe Robert Cole, chegou a dizer que não acreditava que a Marvel daria apoio à sua história. E isso aconteceu! Com isso, o estúdio só tem a ganhar, afinal aborda, com ar divertido e heróico, uma cultura tão incrível como a dos negros. É uma experiência magnífica se "reconhecer" nas telas e ver que as crianças negras dessa década verão alguém parecido com elas estampando cartazes e sendo chamado de super-herói.

E essa estreia num ano que Corra! é um dos destaques do Oscar, faz com que um raio de esperança apareça num mundo cada vez mais complicado.

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